Moro em uma cidade, onde o uso incorreto do "se" é bem frequente. E cada vez que ouço uma frase, e isso ocorre diariamente, fico pensando qual fator contribuiria para esses equívocos, como por exemplo nas falas em "tu se acostuma, nós se encontramos, eu se ajeitei, nós se acomodamos, etc.
E acredito não ser falta de conhecimento da língua, não são apenas pessoas leigas que o usam, mas pessoas em geral, inclusive com formação em mestrado. Parece um vício de linguagem.
Encontrei este artigo da Débora Silva, o qual estou divulgando como forma de contribuição e peço a autora se puder explicar aqui, esse uso.
"Funções do “se”
É muito comum encontrarmos orações com a presença da palavra “se”, no entanto, o
emprego da partícula gera muitas dúvidas justamente pela possibilidade de ser
empregado em várias funções morfossintáticas.
O intuito deste artigo é analisar separadamente cada uma das funções do “se”.
1) Pronome
- a) Pronome reflexivo: neste caso, a partícula “se” serve para indicar que o sujeito pratica e sofre a ação.
Exemplo: O menino cortou-se.
- b) Partícula apassivadora: indica que a frase está na voz passiva, ou seja, o sujeito sofre a ação praticada por outro agente. Relaciona-se a verbos transitivos diretos ou transitivos diretos e indiretos.
Exemplo: Vende-se carro usado. (Na voz passiva analítica: Carro usado é vendido)
- c) Índice de indeterminação do sujeito: relaciona-se a verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, conjugados na 3ª pessoa do singular.
Exemplo: Precisa-se de vendedores.
- d) Partícula integrante do verbo: integra verbos essencialmente pronominais, que são os que trazem junto de si o pronome oblíquo.
Exemplos: queixar-se, arrepender-se, alegrar-se, zangar-se, indignar-se e outros.
- e) Pronome reflexivo recíproco: A ação envolve dois sujeitos, em que ambos praticam e sofrem a ação um sobre o outro.
Exemplo: Laís e Priscila deram-se as mãos.
- f) Partícula de realce ou expletiva: Não desempenha nenhuma função sintática, como o próprio nome já indica. Trata-se de uma partícula de realce apenas, podendo ser retirada da oração sem que haja alteração de sentido.
Exemplo: Foi-se o tempo em que não tínhamos preocupações.
2) Conjunção
- a) Conjunção subordinativa integrante: introduz orações subordinadas substantivas.
Exemplo: Quero saber se ele virá ao cinema.
- b) Conjunção subordinativa condicional: introduz orações subordinadas adverbiais condicionais.
Exemplo: Se tivéssemos saído mais cedo, não pegaríamos fila para comprar os ingressos.
- c) Conjunção subordinativa causal: é utilizada na oração subordinada para indicar a causa da oração principal. Relaciona-se a “já que”, “uma vez que”, “visto que”.
Exemplo: Se não tinha as qualificações necessárias, não poderia ter aceitado o emprego."
*Débora Silva é graduada em Letras (Licenciatura em Língua Portuguesa e suas Literaturas).
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