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domingo, 17 de novembro de 2013

Pátria Madrasta Vil por Clarice Zeitel Vianna Silva

Odete Soares Rangel

Clarice Zeitel Vianna Silva (30) formou-se em direito pela UFRJ. Ela participou do IV concurso de Redação UNESCO no Brasil/Folha Dirigida, com seu texto Pátria Madastra Vil, (50 mil inscritos). Ela foi uma das vencedoras e foi agraciada com um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).  

O tema da redação era 'Como vencer a pobreza e a desigualdade.'  Esse vai ser sempre um tema atual. Sua redação foi incluída  num livro, com  os demais textos (100) selecionados no concurso. Você pode ver a publicação no site da Biblioteca Virtual da Unesco.

Ao que se sabe, ela fora aprovada no exame da OAB, e hoje integra a equipe do Ministério Público.

O texto é  muito bom. Ela foi muito feliz ao abordar as mudanças necessárias a serem realizadas no Brasil, com seu foco na educação e nas muitas contradições existentes no país. Creio que os brasileiros em geral concordam com ela.  

E parafraseando a Clarice "Como gente...OU como bicho?" tristemente digo-lhes que foi assim que vivenciei muitas situações na área da saúde, especialmente, por aquelas pessoas sem recursos para custear um plano particular de saúde. Certa vez, minha irmã Zair Zoraide,  com câncer generalizado (ossos e órgãos), foi transferida de uma unidade de saúde para outra, porque naquela em que ela estava internada não havia tratamento específico para sua doença.

Para se ter uma ideia da gravidade do caso, o médico que a atendeu na primeira instituição, ficou muito impressionado, pois em 40 anos de profissão nunca havia presenciado algo dessa natureza.  Tanto que não se conseguiu descobrir o sítio primário.

Ao dar entrada no outro hospital, gritando de dor,  pois a morfina já não fazia mais efeito, não havia sequer maca para deitar-se. Então foi jogada num banco. Como a dor não permitia sentar-se, ficou atirada de qualquer jeito. Quando reclamei  e pedi que lhe dessem a medicação para a dor com urgência, obtive a resposta de que quando desocupasse uma maca a deitariam, e que a medicação só poderiam dar-lhe depois, pois naquele momento estavam medicando outros pacientes já internados.   Mas eu não ouvi nenhum deles gritando de dor, então faltou o bom senso, e um pouco de humanidade! Se fosse um paciente familiar dessa funcionária, teria ela permitido que  isso acontecesse ou teria abandonado os outros pacientes para atendê-lo? Pense nisso! A máquina gira conforme os interesses de cada um. 

Foi um dos momentos mais dolorosos da minha vida! Ver uma pessoa que amava sofrendo e a impotência de não poder mudar isso para amenizar seu sofrimento. 

Muitas outras situações posteriores vivi com pessoas doentes, não familiares. Mas que igualmente me fizeram sofrer, pois são seres humanos e como tal deveriam ser tratados.

Parabéns Clarice! Quem sabe um dia, nossos ecos sejam ouvidos! E o Brasil mude! E passe a tratar todos os seus filhos com igualdade e imparcialidade, com justiça e dignidade, e sobretudo com afetividade!  E que o Brasil seja o país da abundância de tudo!

"PÁTRIA MADRASTA VIL



Onde já se viu tanto excesso de falta? Abundância de inexistência… Exagero de escassez… Contraditórios?? Então aí está! O novo nome do nosso país! Não pode haver sinônimo melhor para BRASIL.


Porque o Brasil nada mais é do que o excesso de falta de caráter, a abundância de inexistência de solidariedade, o exagero de escassez de responsabilidade.


O Brasil nada mais é do que uma combinação mal engendrada - e friamente sistematizada - de contradições.


Há quem diga que ‘dos filhos deste solo és mãe gentil.’, mas eu digo que não é gentil e, muito menos, mãe. Pela definição que eu conheço de MÃE, o Brasil está mais para madrasta vil.


A minha mãe não ‘tapa o sol com a peneira’. Não me daria, por exemplo, um lugar na universidade sem ter-me dado uma bela formação básica.


E mesmo há 200 anos atrás não me aboliria da escravidão se soubesse que me restaria a liberdade apenas para morrer de fome. Porque a minha mãe não iria querer me enganar, iludir. Ela me daria um verdadeiro PACote que fosse efetivo na resolução do problema, e que contivesse educação + liberdade + igualdade. Ela sabe que de nada me adianta ter educação pela metade, ou tê-la aprisionada pela falta de oportunidade, pela falta de escolha, acorrentada pela minha voz-nada-ativa. A minha mãe sabe que eu só vou crescer se a minha educação gerar liberdade e esta, por fim, igualdade. Uma segue a outra… Sem nenhuma contradição!


É disso que o Brasil precisa: mudanças estruturais, revolucionárias, que quebrem esse sistema-esquema social montado; mudanças que não sejam hipócritas, mudanças que transformem! A mudança que nada muda é só mais uma contradição. Os governantes (às vezes) dão uns peixinhos, mas não ensinam a pescar. E a educação libertadora entra aí. O povo está tão paralisado pela ignorância que não sabe a que tem direito. Não aprendeu o que é ser cidadão.


Porém, ainda nos falta um fator fundamental para o alcance da igualdade: nossa participação efetiva; as mudanças dentro do corpo burocrático do Estado não modificam a estrutura. As classes média e alta - tão confortavelmente situadas na pirâmide social - terão que fazer mais do que reclamar (o que só serve mesmo para aliviar nossa culpa)… Mas estão elas preparadas para isso?


Eu acredito profundamente que só uma revolução estrutural, feita de dentro pra fora e que não exclua nada nem ninguém de seus efeitos, possa acabar com a pobreza e desigualdade no Brasil.


Afinal, de que serve um governo que não administra? De que serve uma mãe que não afaga? E, finalmente, de que serve um Homem que não se posiciona?


Talvez o sentido de nossa própria existência esteja ligado, justamente, a um posicionamento perante o mundo como um todo. Sem egoísmo. Cada um por todos…


Algumas perguntas, quando auto-indagadas, se tornam elucidativas. Pergunte-se: quero ser pobre no Brasil? Filho de uma mãe gentil ou de uma madrasta vil? Ser tratado como cidadão ou excluído? Como gente… Ou como bicho?"

Fonte do texto: "http://promotordejustica.blogspot.com.br/2008/09/ptria-madrasta-vil.html"

2 comentários:

Aldo Roberto Camocardi disse...

Muito prolixa tecnicamente....põe ela como Ministra da Educação e Cultura, aí que eu quero ver....nos EUA faltam escolas, os negros não tem direito a nada, são excluídos, nem trabalho e nem educação, se vc acha que estou exagerando me fale, que posto links sobre o tema e outra já morei lá. Lá são excluídos como todos os pobres do mundo...agora ela usar frases de efeito que meramente são técnicas e de sentido que não acrescenta nada na vida de ninguém, fala sério!!! Ela é muito nova pra saber como vencer a pobreza e a exclusão dos mais de milhões de pobres da base menos social e excluída da base da pirâmide da vida.....falar, escrever bonito eu também escrevo, já fiz poemas que estão na UNESCO também...e o que pega?....nada!!!...quero ver ela do alto de sua super experiência de vida transformar esse palavreado abstrato em realidade de vida. Se assim ela o fizer, eu vou reverencia-la e mais nada!!!...pra mim ela não acrescentou nada , além de falar somente do BRASIL,ela deveria generalizar se ela tivesse conhecimento da pobreza que reza o MUNDO e exclusão Mundial, o que ela certamente não tem....Falei e pronto !!!

Noel Dourado disse...

O tema foi: Como vencer a pobreza e a desigualdade.
E qual palavra da redação dessa moça fez menção à isso??!
Tantas redações excelentes, e essa totalmente fora de nexo, cheia de frases de efeito vence! É Brasil!