PLAYLIST

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sinopse de O caso da Vara - Machado de Assis

Odete Soares Rangel

Damião fugiu do seminário às onze horas da manhã, numa sexta-feira de agosto, antes do ano de 1850, portanto, tempo de escravidão.

Do início ao final do conto, ele vive oprimido pela insegurança, pelo medo, o que está representado nas expressões: “espantado, medroso, fugitivo”...”espantado, incerto”... Para onde iria?” “trêmulo”..., “salve-me da morte, porque eu mato-me”..., “Damião suspirou alto e triste”..., “Damião respirou...olhos fincados no chão, acabrunhado”. “Damião ficou frio...cruel instante”..., “tinha jurado apadrinhar a pequena, que por causa dele atrasara o trabalho”. “...pegou na vara e entregou-a a Sinhá Rita”.

Para casa não poderia voltar. Seu pai um homem muito zangado, mandaria-o novamente para o seminário, para a prisão ou para o navio destinado a prender ou recolher os presos. Damião não podendo recorrer a família, o fez a Sra. Sinhá Rita. Ela possuía relações íntimas com seu padrinho Carneiro, assim poderia ajudá-lo fazendo com que este convencesse o pai de Damião a aceitá-lo de volta sem punição. Sinhá Rita, viúva e espantada, recusava-se a intrometer-se em negócios de família. Porém, lisonjeada com as súplicas de Damião intercedeu por ele.

Carneiro, criticou Damião por ter ido incomodá-la e queria castigá-lo, o que contrariou a Sinhá Rita. Carneiro pressionado por ela tentaria ajudar Damião e foi ter com seu pai, tarefa nada fácil. Sentia-se numa encruzilhada, teria de convencer o compadre ou iria ver-se com Sinhá Rita. 

Carneiro “com a pupila desvairada, a pálpebra trêmula, o peito ofegante”, e desolado buscava uma solução , ainda que fosse trágica. Desejou a morte de Damião, que um decreto dissolvesse a igreja ou extinguisse o seminário, pois assim se isentaria de confrontos. “Porque lhe não pedia outra coisa”? Enviou uma carta a Sinhá Rita, comunicando-a que ainda não obtivera uma solução, mas que tentaria no dia seguinte. Esta respondeu-lhe que caso não conseguisse, nunca mais a veria.

Nesse conto, há uma alusão a questão de dar uma tarefa muito difícil para quem não tem competência. Napoleão era um estrategista, se fosse delegar uma tarefa dessas a um barbeiro que só sabia fazer barba, o resultado seria catastrófico. Ele vê essa missão como uma batalha.

Fala da luta da gente perante à vida, nós temos uma sociedade paternalista em que o pai define o destino dos filhos.

Na realidade, hoje, mais da metade da população são enjeitados, escravos devido a um sistema capitalista altamente excludente. Para os detentores de capital tudo, para os menos favorecidos os restos, a miséria. Um trabalhador durante um mês, ganha um salário mínimo, o que significaria um quarto de senzala e comida, não diferindo portanto dos escravos daquela época.

A estrutura social explica isso, o pai assumiu um compromisso perante a Igreja e faria qualquer coisa para honrá-lo, assim como seu nome, pois isto seria necessário para ser alguém e estar inserido na sociedade.

Vemos aqui o continuísmo da sociedade patriarcal, em que a mulher era submissa ao homem.

O desenho social mostra o contraste entre aparência e essência, ou seja o que ocorre à margem da sociedade. Aqui, vemos a mulher disputando seu espaço por baixo do pano. Elas defendiam-se a si próprias, ou seriam escravizadas, haja vista a discriminação da raça negra.

Nenhum comentário: