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sexta-feira, 22 de julho de 2011

A um Poeta, soneto de Olavo Bilac

Odete Soares Rangel


Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!

Mas que na forma se disfarce o emprego
Do esforço: e trama viva se construa
De tal modo, que a imagem fique nua
Rica mas sóbria, como um templo grego

Não se mostre na fábrica o suplicio
Do mestre. E natural, o efeito agrade
Sem lembrar os andaimes do edifício:

Porque a Beleza, gêmea da Verdade
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.


Fonte: www.jornaldepoesia.jor.br


https://www.google.com.br/url?
O soneto "A um Poeta", do parnasiano Olavo Bilac, é decassílabo (dez sílabas poéticas) e composto com rimas ricas (abba, baab, cdc,dcd), uma construção formal perfeita. Ele é metalinguístico, pois trata do próprio ato de escrever poemas. Evidencia um recolhimento próprio do poeta para escrever "longe do turbilhão", comparado ao monge Beneditino que trabalha retirado do mundo. Beneditino significa monge, isolamento. Claustro tem relaçao com a vida monástica, pode ser entendido como clausura, recinto fechado.


O poeta precisa silêncio, aconchego e sossego para conseguir criar a sua forma perfeita parnasiana. Em "Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!"  Pode-se entender a arte de escrever, em "teima" a reescrita buscando a perfeição formal, "lima" é um símbolo de polir, assim  significa a lapidação da escrita, "sofre" pode significar que a poesia é um dom, mas para escrevê-la com perfeição é preciso técnica e dedicação, e "sua" denotando que o trabalho do poeta é desgastante. 

Ele não quer que percebam o esforço feito na criação, a imagem nua, não rebuscada contrariava as rebuscadas típicas do parnasianismo que ele costumava usar, entretanto tinha que ter perfeição formal "rica", ser sóbria, simples, mas o enredo "trama" tem que ter um que de mistério, e ser respeitado como algo sagrado, como um templo grego que passa a ser o referencial de perfeição.

Nas duas últimas estrofes, penso que ele se manifesta a favor da arte artesanal e contra a mecanização da produção. A poesia tem que ser bela, mas ter verdade, convencer o leitor, a arte não precisa de engenhosidade,  a poesia tem que ter força e graça na simplicidade. Mas esta pode se contrapor ao imponente templo, à perfeição formal tão ilustrada no soneto.

Não tive aqui a intenção de uma análise profunda do soneto, mas sim de registrar minha visão sobre o mesmo.

2 comentários:

Anônimo disse...

Amei! Esclareceu totalmente o poema, agora será possível entendê-lo, muito obrigada.

Odete Rangel disse...

Bom dia!

Obrigada a você também pelo gentil comentário.

Abcs