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domingo, 22 de maio de 2011

De como enganei o sol

Odete Soares Rangel

Acordei de manhãzinha
e dei um pulo da cama.
Vesti o calção vermelho,
a camiseta listrada,
que eu ganhei da minha avó,
calcei o tênis de briga,
tomei café e voei
pro campo de futebol.


 Tremenda decepção:
o céu estava cinzento,
o frio estava cinzento,
o sol estava cinzento,
ameaçando um toró.


Voltei pra dentro de casa,
fui pro quarto me trocar.
Vesti a calça de brim,
camisa e meia de lã,
um suéter bem fechado
e desci mais conformado:
- vou pra casa do Rodrigo
com meu time de botão!


Saí na rua e parei.
Não sei se foi pelo vento,
por encanto ou por mistério,
não sei por que cargas-d`água,
a verdade é que lá fora
estava um tremendo solão.
corri de volta pro quarto,
pus calção e camiseta,
saí lá fora e voltei,
porque já estava chovendo.


Entrei no quarto xingando,
quase tive um piripaque,
dei gritos assustadores,
fiz careta e até chorei.


Então me veio uma idéia,
um truque, um plano perfeito:
vesti capa, guarda-chuva,
gorro, luva e sobretudo,
saí de casa direto
pro campo de futebol.
joguei de galocha e tudo
E assim enganei o sol!


 AZEVEDO, Ricardo. Dezenove poemas desengonçados. São Paulo. Ed. Ática, 1998.

2 comentários:

Arione Torres disse...

Oi querida,Tenha uma linda tarde de domingo cheia de muita luz. Bjus...

Odete Soares Rangel disse...

Olá querida,

Desejo o mesmo para você. Tenha uma semana de muita luz, paz, harmonia e alegrias.
Um Sp bjo