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terça-feira, 28 de setembro de 2010

Salas de espera, uma incógnita

Odete Soares Rangel

Salas de espera são uma incógnita, você não sabe o que vai encontrar nelas. Mas é um local que nos permite observar o todo e tirar algum aprendizado. Na sala de espera do espaço onde faço pilates, observava atenta os movimentos das pessoas. Uma mãe que aguardava sua sessão de terapia, sentou, mexeu na bolsa, pegou a sombrinha e o casaco, e levantou-se. Pegou o celular e ligou para o filho, com o objetivo de avisá-lo que iria desligar o telefone, pois estava entrando em seu compromisso que duraria uma hora.

Imaginei que o filho teria desaprovado a atitude e a questionado sobre, eis que ela esforçava-se para justificar a atitude. Questionou-o afirmando que ele tinha dinheiro para almoçar, então poderia aguardar um pouco antes que se falassem. E concluiu o diálogo dizendo que ela ligaria assim que saísse da consulta.

O fato me deixou curiosa, será que os valores se inverteram? Tempos atrás, eram os filhos que prestavam contas das suas atitudes e ausências às mães. Não seria ela uma mãe superprotetora que impingia ao filho sua presença, sua necessidade de controle e contatos. Não estaria ela, impedindo-o de exercitar suas individualidade e autonomia.

A ela só interessava o fato dele ter dinheiro para almoçar. Se tinha ou não alguém para fazer o almoço e para almoçar com ele era outra parte do acontecido. Não perguntou se ele estava bem, se precisava de alguma coisa, se já tinha feito o tema da escola, se ia sair e voltar para a casa. Foi como se dissesse não lhe falta nada, você tem comida, se vire. O resto pode esperar. Em nenhum momento foi afetiva com o filho, não se despediu com o tradicional "até mais meu filho, um beijo ou te amo" tão em voga na atualidade. Simplesmente disse que ligaria e desligou o telefone, parecia uma rocha.

Esse fato me remeteu a outras situações. Uma delas desagradável; a praga que se tornou o celular. Existem pessoas que não sabem viver sem ele. Os estudantes usam-no na sala de aula para colarem nas provas, fotografarem colegas e zoarem deles praticando, inclusive, o bullyng escolar, jogarem enquanto os professores se esforçam para darem uma boa aula. As pessoas falam ao celular na rua, dirigindo, nos encontros familiares e sociais. Independente do local em que estejam ou do que estejam fazendo, o celular tocou correm para atender, desrespeitando todas as regras de civilidade, de convívio social. O que era para ser um equipamento para uso em situações especiais, necessárias, tornou-se uma epidemia indesejada para quem tem que se submeter aos desinteressantes diálogos.

E uma outra vivenciada na minha vida profissional. Durante uma entrevista, a pessoa tentou justificar seu ato dizendo que sua situação não justificava o que tinha feito, mas que tinha uma família com muitos problemas. A mãe era alcoólatra, o irmão envolvido com drogas, o pai queria provar a todos que tinha status e poder. Ele precisava se desdobrar para não deixar esses fatos virem a tona. Entretanto, pagava um preço muito alto por tudo isso. Contou-me que aos 15 anos teria ganhado uma moto zero, aos 18 um carro zero, mas que nunca tinha recebido um abraço ou um beijo de seu pai. A carência de afeto era forte, essa pessoa necessitava apenas de carinho, de atenção e não de bens materiais para mostrar a sociedade que tinha status, que sua família beirava a nobreza. Então, teria aprendido que o status estava acima da afetividade, que os fins justificavam os meios, valores inversos ao desejo interno do entrevistado.

Lembrei-me de quando era criança, eu adorava ir para a casa dos meus avós paternos, porque eles me enchiam de carinho. Meu tio Venâncio sentava para tomar seu chimarrão, me colocava no colo e ficava fazendo carinho na minha mão. Infelizmente, ele não está mais entre nós, mas ele e suas atitudes afetivas jamais serão esquecidos. A afetividade e o amor são sentimentos que podem melhorar as relações familiares e os rumos na vida das pessoas, e para quem os recebe e dá, é uma felicidade infinita.

Como você vê, sala de espera, tem lados negativos e positivos. Se formos obrigados a ouvir diálogos e ver atitudes que nos desagradam, por outro lado, somos estimulados a reflexões que nos propiciam desenvolvimento pessoal, e novos aprendizados. Assim, buscamos ser diferente daquele ser com atitudes que rejeitamos, nos tornamos uma pessoa melhor, mais afetiva e humana. Bendita sala de espera que nos faz parar um pouco da correria do dia-a-dia e prestar atenção nos outros, em nós mesmos.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

R.E.M. um Rock transformador

Odete Soares Rangel

A banda R.E.M foi criada em 1980, em Atenas, Geórgia, EUA. De acordo com a Wikipédia, o nome é uma referência ao estágio de sono REM.  Em inglês Rapid Eye Movement (Movimento Rápido dos Olhos). As raízes da banda surgiram nas universidades da cidade de Atenas, EUA, no ano de 1979. O quarteto era formado pelos integrantes  Michael Stipe (vocalista), Peter Buck (guitarrista), Mike Mills (baixista) e Bill Berry (baterista).  Sua estréia foi com o EP   Chronic Town em 1982. Em 1997, o baterista Bill Berry saiu da banda. Ao que se sabe a primeira apresentação do grupo em público teria sido numa festa em abril de 1980, num apartamento abandonado de Stipe e Bucks. Após esse, o grupo deu o nome a banda e começou a tocar em vários bares da cidade, entre eles, o atual famoso 40 Watt Club. Dois anos depois, iniciaram pequenas turnês no sudeste americano, e conquistaram um fiel público local.

Recentemente, o site oficial da banda informou que está sendo finalizado o 15º álbum do grupo, o qual está com o lançamento programado para o primeiro semestre de 2011. A produção é de Jacknife Lee, e o nome ainda não foi definido.

Em 1989, iniciaram as turnês mundial (América do Norte, Austrália, Japão e Europa). Em janeiro de 2001, a banda fez seu primeiro show no Brasil, tocou na terceira edição do Rock in Rio, sendo considerado um dos destaques do evento. A seguir você pode ver alguns trabalhos da banda.
 
Álbuns da Banda
1983 – Murmur (o álbum de estréia),
1984 - Reckoning,
1985 - Fables of the Reconstruction,
1986 - Life's Rich Pageant (músicas mais conhecidas)
1987 – Document,
1987 - Dead Letter Office,
1988 - Green,
1991 - Out of Time (muitos Grammy Awards e vendagem expressiva),
1992 - Automatic For the People (sons tristes, subproduzidos e introspectivos),
1994 – Monster (rock afiado)
1996 - New Adventures in Hi-Fi
1998 - Up, (coletânea de velhas baladas de rock universitário do R.E.M.),
1999 - Man on the Moon (Trilha sonora)
2001 - Reveal,
2004 - Arpund the Sun,
2007 - R.E.M. Live (ao vivo)
2008 - Accelerate.
2009 -  Live at The Olympia - ( vivo)

Coletâneas
1987 - Dead Letter Office 
1988 - Eponymous
1991 - The Best of R.E.M.
2003 - In Time: The Best of R.E.M. 1988-2003
2006 - And I Feel Fine... The Best of the I.R.S Years 1982-1987

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

A poderosa e a submissa

Odete Soares Rangel

Andei refletindo sobre o papel da patroa e o da empregada, a toda poderosa e a submissa. A patroa, sempre impecável e implacável, num tom de superioridade, dá às ordens à empregada. Ela busca uma pessoa que execute as tarefas ordenadas, que pense, saiba se comunicar e tenha visão, porém não deixe de cumprir à risca suas determinações. Seu sentimento de posse prevalece, ela está na “sua casa”, paga pelos serviços prestados que devem ser executados segundo a sua vontade.

Exigente, quer tudo perfeito, mas está sempre agregando uma nova atividade na função da empregada. Esta tem que chegar cedo e sair tarde. Tem a obrigação de lavar e passar roupa, limpar e arrumar a casa, fazer as compras, passear com o cachorro, e até mesmo realizar outras tarefas não intrínsecas à sua função. A patroa orgulha-se ao dizer: - exijo qualidade e produtividade nos serviços, pois pago muito bem, ela tem que fazer o melhor.

Por empregar pessoa desconhecida, a patroa sempre suspeita da empregada. Não raro, ela chega de mansinho para ver como está se comportando a nova secretária. Qualquer anormalidade, a coitada da empregada é sempre a culpada. Se a patroa não acha uma roupa, sapato, jóia ou mantimento que julgava estar no armário, ou não encontra algo porque alguém quebrou ou perdeu, logo a empregada é responsabilizada. A patroa sai esbravejando, esta inútil, além de relaxada está me roubando, vou mandá-la embora. A substitui por outra, os fatos se repetem, as substituições também.

Mesquinha em termos financeiros, a patroa paga o valor contratado, nem um centavo a mais. Ela generaliza e diz: - são todas iguais, não estão acostumadas com conforto, nem conviver com gente de bem. Ela deve agradecer a Deus por estar trabalhando na minha casa. Dou-lhe roupas, come e bebe do bom e do melhor, etc. O que as pessoas que a ouvem não sabem, é que as roupas são àquelas fora de moda e mais do que usadas, a comida; aqueles restos que ninguém comeria jamais se pudesse escolher.

Felizmente, existem patroas com pensamento e comportamento diferentes. Para estas, as empregadas devem ser tratadas como gente, valorizadas financeiramente ou por estímulos através de elogios, lembradas em datas importantes e estimuladas ao aperfeiçoamento e ao crescimento pessoal.

A patroa do futuro exigirá uma empregada perfeita e confiável; um ser social e pensante, que saiba escrever, atender ao telefone educadamente, operar o computador, dirigir, mas que não traga seus problemas pessoais para o trabalho. Neste último particular concordo com a patroa, este é um fato comum nos dias de hoje. Enfim, a empregada contemporânea tem que ter cultura, visão, discernimento e, de preferência, que enxergue e atue em sua função de forma holística. Em contrapartida, a patroa tem de tratá-la como ser humano e não como um ser coisificado e remunerá-la decentemente.  Assim, a harmonia reinará entre ambas, a poderosa será mais humana e a submissa mais ética e profissional.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Solidariedade: O entendimento que faz a diferença

Odete Soares Rangel

SOLIDARIEDADE

Eu vi um menino chorando
Eu vi um mendigo pedindo
Eu vi uma família sem lar
Mas eu vi pessoas sorrindo

Eu vi um homem com fome 
Eu vi um idoso na relva dormindo
Eu vi um olhar piedoso
Mas não vi ninguém os acudindo

Eu vi uma tempestade cinzenta
Eu vi casas e muros ruindo
Eu vi uma mulher com uma trouxa
Atônita com o cachorro se indo

Eu vi crianças na lama
Eu vi o chão se abrindo
Eu vi pedras se amontoando
Eu vi pessoas explodindo

Eu vi um enfermo sofrendo
Eu vi uma pessoa partindo
Eu vi parentes às lágrimas
Mas eu vi uma rosa se abrindo.

Mas naquele momento eu não vi ninguém:
Estendendo a mão;
abrindo o coração;
esboçando um sorriso;
fazendo um afago;
saindo do conforto para socorrer alguém;
abrindo a carteira;
partilhando da dor do outro;
sendo solidário com seu irmão necessitado.

Eu fiz a minha parte hoje. Afaguei a cabeça do menino, dei comida ao mendigo, cobri o idoso, atentei para o olhar piedoso, socorri a mulher e o cachorro. E ajudei mais a mim do que a eles, abri minha mente e meu coração para as necessidades dos outros. À medida em que ia escrevendo, eu me colocava no lugar daqueles desafortunados e sentia a tristeza e a dor de cada um. Nas outras questões nada pude fazer, mas sou solidária no sofrimento. Que os governantes deste país olhem para os problemas sociais e ambientais, com disposição para solucioná-los. Que eles se coloquem no lugar dos menos favorecidos, então saberão o que é miséria, o que é dor, o que é ter necessidades, o que é perder tudo que se tem, inclusive o direito de viver com dignidade. Que eles sejam solidários, antes de serem políticos; que façam sua parte, representando o povo e dando a ele condições básicas e dignas para a sobrevivência.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Ricardo Reis e a Educação pelo argumento

Odete Soares Rangel

É impossível falar de Ricardo Reis, sem falar um pouco de seu criador. Fernando Antônio Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa, a 13 de junho de 1888. Ficou órfão bem cedo e mudou-se para Durbam na África do Sul. Retornou a Portugal em 1905. Na década de 1910 escreveu para algumas revistas, e em 1915, ajudou a fundar a revista Orpheu. Nessa época sua atividade literária já era intensa, especialmente, a criação dos heterônimos para os quais deu nome, biografia, caracteres físicos, personalidade própria e formação cultural. A partir daí, sua vida pessoal confundiu-se com sua atividade literária, alternando-se por algumas atuações como horoscopista por exemplo, crises nervosas e excessos alcoólicos. Vitimado por uma cirrose hepática, faleceu em Lisboa, aos  30 de novembro de 1935.

O poeta disse ter iniciado seus heterônimos com Chevalier de Paz aos seis anos de idade. Relatou que tinha forte tendência para criar um outro mundo igual a este, mas com pessoas que sempre habitaram sua imaginação e fossem diferentes das que conhecia.

O segundo heterônimo a surgir foi Ricardo Reis. Este nasceu sem que Fernando Pessoa tivesse consciência. Foi fruto de esboços de poemas de índole pagã, abandonados e retomados mais tarde.

Ricardo Reis nasceu no Porto em 19 de setembro de 1887, data que precedeu o nascimento do seu criador. Estudou em colégio de jesuítas e formou-se em Medicina. Era estudioso da cultura clássica (latim, grego, mitologia). Defendia a Monarquia; por não concordar com a Proclamação da República Portuguesa em 1910, auto-exilou-se no Brasil. Ao invés de lutar pela sua pátria, ele se voltou contra o nacionalismo e a abandonou.

Ele acreditava no “Fado” de cada um que já nascia predestinado, tendo acima de si o destino soberano que guia sua vida. Aceitou Cristo, mas não lhe deu distinção, considerava-o apenas um deus a mais. Isto fica claro na ode “Não a ti, Cristo, odeio ou menosprezo” na qual ele incluiu Jesus entre os demais deuses do Panteão, porém ele não devia suplantar os deuses antigos.

Sentia-se fruto de uma civilização cristã decadente que caminhava para a destruição. Colocava-se como mero espectador do espetáculo do mundo. O mundo para ele parecia não mudar, porque ele não aceitava as mudanças em si próprio, temendo sofrer, perder sua liberdade e ter a presença da morte antecipada. Pode-se depreender que Reis se enredou na própria trama interna, morrer cedo teria sido sua rendição já que para sua vida não havia outra saída.

A Ode número 337 de Reis conta a história de dois jogadores de xadrez enredados em seu jogo enquanto a cidade de Adis Abeba é invadida, incendiada e seus habitantes trucidados. A partir desse fato, o Reis de Saramago tenta abandonar a atitude de contemplação do espetáculo do mundo, voltando-se para a vida urbana de Lisboa. “Addis-Abeba está em chamas, as ruas cobertas de mortos, os salteadores arrombam as casas, violam, saqueiam, degolam mulheres e crianças, enquanto as tropas de Badoglio se aproximam”. (SARAMAGO, 1988, p. 300) “Lê Ricardo Reis os jornais e acaba por impor a si mesmo o dever de preocupar-se um pouco [...]” (SARAMAGO, 1988, p. 370)

Valorizava a razão e descaracterizava o sentimento, ele preferia não receber amor a perder sua liberdade “Não quero, Cloé, teu amor que oprime/Porque me exige amor. Quero ser livre”. Era um ser resignado e entendia que os sentimentos escravizavam o homem.

Como poeta da natureza, buscou se manter epicurista, evitando experimentar as sensações e, conseqüentemente, o sofrimento que delas decorrem quando estas acabam. Isto pode ser entendido na ode "Vem sentar-te comigo, Lídia (...)" , na qual o desenlaçar de mãos evita paixões mais frenéticas, há o desejo de amar como criança para que as recordações depois da morte sejam suaves.

Reis retornou a Grécia Antiga, buscando inspirar-se nos mestres do passado como Epicuro e Horácio. Suas odes são inspiradas neste último e revelam a preocupação com a efemeridade da nossa existência. Sua linguagem é purista, seguindo rigidamente os postulados gramaticais.

São marcas da sua poesia: a forma estrófica e métrica (ode); os arcaísmos vocabulares e a sintaxe. Ele utiliza-se desta através de inversões, liberdade na ordem das palavras e regências desusadas “[...] Leva Ricardo Reis as malas para a cozinha, pendura na casa-de-banho as toalhas [...] (p. 223), letras maiúsculas no meio de frase depois de vírgula ”Para um hotel, Qual, Não sei [...]” (SARAMAGO, 1988. P. 17).

O vocabulário raro buscado por vezes no latim é outra de suas preferências, assim como o vasto uso de verbos no gerúndio: avançando, batendo, deixando, mugindo, degolando, decrescendo, afastando, morando, disparando, procurando, etc. (SARAMAGO, 1988. Ps. 76-77).

Fernando Pessoa não é apenas um poeta, mas um sábio capaz de criar uma dualidade entre o que ele é e como ele se vê e gostaria de ser. Ele criou os heterônimos para revelar-se através deles, sem ter de desnudar-se para o mundo. Influenciado pela modernidade, pela máquina, ele se tornou tão veloz quanto ela e criou seus heterônimos com múltiplas facetas, homens que refletem, como no caso de Reis que fez uma viagem na antiguidade para buscar inspiração e poder construir seu mundo particularizado a partir do “nada”. É a partir desse “nada” refletido num desejo imenso de criar seres idealizados e multifacetados que Pessoa gerou vida e construiu sua obra, uma vez que ele queria seres diferentes dos que habitavam o mundo que conhecia.

Se argumentar é refletir, duvidar, criar hipóteses e comprová-las, em Ricardo Reis isso seria impossível, pois como comprovar algo que teria sido gerado pela imaginação do poeta. Assim, Reis não seria o resultado de um processo consciente de raciocínio ou reflexão do seu criador. Por outro lado, Fernando Pessoa criou seus heterônimos diferentes dos seres do mundo que conhecia, então ele refletiu sobre esses seres. A partir das suas observações, ele construíu um raciocínio indutivo com base em idéias que resultaram dessas observações, como por exemplo, o uso do lirismo tradicional lá das cantigas de amor de Camões. Isto encontra amparo em Massaud Moisés:

“(...) o poeta não só assimilou o passado lírico de seu povo como refletiu em si, à semelhança dum poderoso espelho parabólico, as grandes inquietações humanas no primeiro quartel deste século. Com suas sensíveis antenas, captou as várias ondas que traziam de pontos dispersos a certeza de que a Humanidade vivia uma profunda crise de cultura e valores do espírito”.

“(...) Fernando Pessoa parte sempre de verdades apenas aparentemente axiomáticas, (...) resultam dum longo e acurado trabalho reflexão analítica em torno daquilo que é motivo de seus poemas”.

José de Nicola diz que Pessoa e seus heterônimos poderiam formar um grande quebra-cabeças chamado Portugal. Ele usou as descrições físicas; a formação cultural, as posturas ideológicas, o homem do campo, o técnico industrial, o monarquista exilado e o nacionalista místico que lembravam os vários tipos humanos de Portugal. Isso prova que Pessoa não só conhecia bem sua cidade, mas para criar seus heterônimos refletiiu sobre antropologia e sociologia.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A visão machadiana do comportamento humano e sua relação com a sociedade

Odete Soares Rangel

Machado de Assis era exímio na arte de observar a pessoa humana e a sociedade. Sua formação moral e estética sofreu influências do estilo institucional dominante. Após 1870, houve sensíveis modificações na posição mental dos intelectuais do Brasil, oscilando entre o abolicionismo e a república. Há a passagem do estilo romântico para o realista com sua vertente naturalista. O realismo procurava a verdade. Os personagens e os papéis que interpretavam eram retratados fielmente, analisado-os em todas as suas nuances. No realismo, Machado de Assis afastou-se dos modismos literários, transformou emoções em ambigüidades, demonstrou interesse pela realidade social e se transformou no mais importante escritor brasileiro.

No século XIX, seus contos atingiram o apogeu. Ele mostrava um grande talento para a história curta, e revelava a mesma preocupação pelo comportamento humano, como se quisesse descobrir tudo o que existisse no interior da alma humana. Também, utilizou-se de uma linguagem contida, depurada, reduzida ao essencial para completar seu intento.

Da visão Machadiana no comportamento humano e sua relação com a sociedade, pode-se dizer que ele se apropriou de histórias do cotidiano, refletindo acerca do que estava a sua volta. Denunciou a escravidão, para o que utilizou-se não do emocionalismo característico das manifestações abolicionistas, mas da análise e da reflexão, destruindo a idéia da "bondade dos brancos" ao libertarem os negros. Nas crônicas, contos e romances procurou desvendar os mecanismos econômicos e ideológicos que tentavam justificar, primeiro, a necessidade do trabalho escravo e, depois, a contingência imperiosa da libertação. Meu objeto de análise são os contos a seguir comentados:

“Já Machado de Assis, desde as suas primícias literárias, distinguia-se por um conjunto de qualidade: concisão de pensamento, sutileza de idéias e sobriedade de estilo, que o habilitavam a exercer perfeitamente a engenhosa arte do conto”. (Machado de Assis. Contos. Pg. 7)

Em "O Alienista", conto inserido na obra Papéis Avulsos (1882), há um narrador onisciente – em terceira pessoa – narrando com uma linguagem objetiva, a história de um médico que tem por objetivo estudar a loucura, ou seja, determinar a linha que divide a razão e a loucura. Esta, se desenvolveu ao longo de quatro ou cinco anos, na vila de Itaguaí, no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII. "O Alienista" ocupou o centro de uma interpretação do Poder, do autoritarismo e da sociedade que surpreende o leitor por sua atualidade e relevância em nosso século.

“Machado de Assis, Lima Barreto e Isaias Caminha acabam por retirar de suas sucessivas experiências, tristes e decepcionantes, de seus anos de formação e de seus primeiros anos de vida profissional uma visão cética da realidade. Eles acabam por descrever com crueldade os jogos do poder e da hipocrisia na sociedade brasileira”. (Santiago, 1989, p. 11)
Machado usou o método de estudo e observação e entendia que por trás da normalidade estava oculta a loucura. Nessa narrativa, a tese era tratar os dementes em lugar específico, a Casa de Orates. Concluiu que a loucura não era uma ilha, mas um continente, haviam mais dementes em Itaguaí do que pudera supor, reformulou sua teoria tendo, então, a normalidade como loucura.

A casa verde era uma representação de uma nova forma de gestão não assimilada por uma sociedade inadequada. Fica claro o desajuste da própria sociedade, o desequilíbrio social. Com Mateus, a elite passa a se constituir mas era como se vivesse um papel que não era seu. Simão vive à margem dessa sociedade. O conto fala do desequilíbrio da sociedade que é hipócrita e vive apenas da aparência. Uma sociedade desajustada, que vive da contradição, dos hábitos arraigados e do novo. O autor é ambíguo, à medida em que, a narrativa pode ser interpretada sob vários ângulos, como por exemplo: uma sátira ao pensamento científico, uma sátira feroz às instituições políticas e sociais, um apólogo sobre a impossibilidade de estabelecer a verdade, uma sátira humorística sobre a dificuldade de estabelecer com precisão os limites entre a normalidade e a loucura. Todas podem ser consideradas verdadeiras, mas a última parece ser a mais adequada, diante dos propósitos do autor. Itaguaí era uma cidade em desordem; atrasada, o que gerava um estranhamento com o novo ou moderno apresentado por Simão Bacamarte.

A intenção do narrador era analisar o comportamento humano: ir além das aparências e procurar atingir os motivos essenciais da conduta humana, descobrir no homem, o egoísmo e a vaidade. Sua intencionalidade crítica não se reflete somente ao ser humano de forma geral, ele criticou, também, a postura do cientista e do extremo cientificismo do final do século XIX, assim como, a Escola Naturalista. Na figura do Porfírio, analisa-se o político sempre buscando vantagens pessoais. O homem, para Machado, é acima de tudo, ganancioso e movido pela intenção de poder, o que ocorreu com Porfírio.

O povo da cidade de Itaguaí era submisso e, facilmente, manipulável, pelas pessoas que tinham conhecimento ou liderança. No humor penoso de Machado de Assis – está a visão irônica e amarga que enfatiza aspectos negativos, denunciadores da frustração humana como: criticar a hipocrisia humana, provocada por um sistema social regido pela falta de valores.

Em Simão Bacamarte, havia o símbolo de um saber duvidoso, haja vista sua postura de determinar uma norma geral de conduta para o comportamento humano, igualando, rasteiramente, todos os indivíduos, embora essa teoria tenha sido reformulada posteriormente. Simão é a deformação do "cientista", se considerados verdadeiros os pressupostos da ciência. Ele cometeu equívocos sucessivos, não se apercebeu de tais absurdos, e criaou um caos social em Itaguaí. Machado de Assis chamou a atenção para a relatividade da ciência. A cada teoria criada por Simão, ele pensava estar diante de uma verdade absoluta, mas logo percebia que não era real.

“Pai contra a mãe”, uma narrativa curta, em terceira pessoa, aborda os ofícios e aparelhos da escravidão. É a história de um capturador de escravos que fazia isso para sobreviver, pois não se adaptava em qualquer outra função e passava por dificuldades financeiras. Ele se orgulhava dessa sua habilidade e caçar escravos trouxe-lhe novos encantos, não precisava obrigar-se a nada. Ele vislumbrava sucesso nas suas investidas, só assim sua miséria teria um fim. O narrador dá uma série de informações históricas sobre a escravidão, com muitas fugas de escravos, situando o leitor no conto.

O conflito se dá entre Candinho Neves – o caçador de escravos que precisava salvar seu filho, e Arminda – escrava fugida de propriedade de um senhor de escravos, que acabou perdendo seu filho na luta pela fuga. Esse fato deve ser a origem do título do conto e demonstra seu caráter trágico. A narrativa nasceu da maldade dos indivíduos ou da estrutura escravocata brasileira, em que  os escravos eram tratados como propriedade de seus donos, servindo-os e sujeitando-se aos castigos e ao trabalho pesado, etc. Dessa forma, não importava o sofrimento e a dor de Arminda, ainda que pedisse clemência em nome de seu filho que viria nascer. No momento em que ela abortou, seu dono estava em desespero, mas pode-se depreender que tenha sido pela perda de um escravo (feto) e a possível morte de Arminda, e não por se interessar por eles como seres humanos.

Candinho havia saído desesperado e sem esperança, para levar seu filho à roda dos enjeitados. Desorientado resolveu encurtar o trajeto, quando, então, deparou-se com a escrava, objeto de sua salvação. Aí está uma peripécia que a vida lhe pregou, estava predestinado, desse desequilíbrio em que se encontrava, surgiu um equilíbrio com a recuperação da escrava, mas voltou a desequilibrar-se novamente quando Arminda abortou. O segundo e o terceiro parágrafos do conto possuem explicações da vida humana, esta era uma das preocupações de Machado. O narrador, ironicamente, faz uma alusão de que eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão. Obviamente, os escravos fugiam e enfrentavam o perigo, porque não queriam submeterem-se a essa vida desumana.  O escravo custava caro para seu dono.

“Era grotesca tal máscara, mas a ordem social e humana nem sempre se alcança sem o grotesco, e alguma vez o cruel. Os funileiros as tinham penduradas, à venda, na porta das lojas. Mas não cuidemos de máscaras”. Apesar de narrado em 3° pessoa, há nessa citação, uma intromissão do autor com seu posicionamento.

Caçar escravos se revertia para uma atitude nobre, por considerarem-na uma ação de manutenção da ordem, assim se compensava quem os capturasse. A nobreza se configurava no  sucesso de quem reavia um bem de sua propriedade e de quem conseguia esse feito. Candinho não gostava de cumprir as normas que lhe eram impostas “atender e servir a todos”,  logo já estava na rua novamente. Na sociedade não era muito diferente, as normas rígidas eram ditadas e as pessoas tinham de submeterem-se a elas, embora contrárias à sua vontade. E embora a necessidade de estabilidade numa sociedade tão desajustada, ele abandonava a profissão.

Clara era apaixonada por Candinho, a referência feita no conto “o amor traz sobrescritos”, algo destacado, aludia ao amor verdadeiro. Casamento era uma das preferências de Machado em suas histórias. Candinho afirma para si mesmo que nem todas as crianças sobreviviam, era uma justificativa para aliviar sua consciência pela morte do filho da escrava em detrimento de salvar a vida do seu próprio filho. O conto mostra-se contra a escravidão, pois leva o leitor a reflitir sobre como ela era prejudicial para a sociedade. Daí sua fina ironia quando mostra a escravidão como natural, mas a considera desumana e absurda. Machado era contrário ao patriarcado e favorável ao trabalho livre. Nesse conto, verifica-se toda uma condição humana de vida, uma escala de valores sobre uma sociedade plana. A moral dele é ditada pela necessidade, a do dono pelo poder e pela propriedade, pois queria recuperar a escrava e pagava por isso. Candinho Neves de vítima da sociedade, passa a ser o opressor em relação a Arminda.

A “Teoria do Medalhão” dá-se em forma de diálogo. A narrativa conta com dois protagonistas da história, na qual o pai deseja que seu filho Janjão seja uma pessoa notável, ilustre, e em decorrência disto, obtenha garantias para um futuro tranqüilo. Em suma, deveria ser um Medalhão. Observe-se que o pai busca realizar em seu filho um sonho que era seu, e também, surge a questão da estabilidade - necessidades do ser humano de realizar-se e estar seguro num futuro incerto. Há uma situação que oculta outra, provavelmente, seu pai não concretizou seu sonho, não por não ter um pai que o orientasse como induz o texto, mas em detrimento de carências financeiras, psicológicas ou outras. Ele anulou-se e buscou realizar-se através do filho, mas a orientação dada a ele não significa êxito absoluto. Percebe-se no conto uma contradição: 21/22 anos, referindo-se a abertura da narrativa e dia seguinte, quando o filho caminha em direção aos 22 anos. Os ensinamentos do pai a Janjão, em forma de perguntas e respostas, tem relação com a teoria socrática, a Maiêutica e contrariam tudo o que deve ser ensinado a um filho. O diálogo apareceu como uma forma de provocar o conhecimento, mas se seguir as instruções do pai, o filho será um alienado, uma pessoa sem idéias próprias, falaria de assuntos banais, fugiria da reflexão e da originalidade, decoraria os escritos de seu pai, ao invés de entender e internalizar aprendizados corretos, reais. Isto me remete a uma crítica social, em que a sociedade e os governantes tentam formar cidadãos alienados, porquanto menos esclarecidos forem, mais fácil será manipulá-los.

Assim como o Medalhão, Janjão teria de gostar do prestígio social, ser um hipócrita, agradar a todos e utilizar frases de efeito. O autor mostra que para sobreviver numa sociedade conservadora e desajustada, o ser humano tem de se valer da hipocrisia passando por cima dos seus princípios, ideais. O pai sugere a Janjão utilizar-se de figuras de linguagem, “Isto é o diabo, as asas de Ícaro, auto-crítica” para impressionar as pessoas, simulando um conhecimento e cultura que não possuia. Tal fato assemelha-se ao que ocorre na sociedade, na vida real, as pessoas são enganadas por inescrupulosos e vencem os que têm maior poder e maior persuasão, nem sempre são os mais inteligentes, os mais competentes e os mais merecedores.

O Medalhão repensa o senso comum. O agir pelo que os outros pensam, pelo que é conveniente, excluindo os princípios e ideais do ser humano, cidadão comum, em detrimento do sucesso. O Medalhão estava sempre buscando auto-promover-se, pois seu objetivo era conseguir publicidade. O conto faz uma crítica a escola naturalista/realista, “...o adjetivo é a alma do idioma, a sua porção idealista e metafísica. O substantivo é a realidade nua e crua, é o naturalismo do vocabulário”. O pai, tenta passar ao filho, a idéia de que os meios justificam os fins, assim para ser um Medalhão, ter status e um futuro certo, valeria ser hipócrita com os outros, como a  sociedade é com o cidadão. Machado discorda dos valores vigentes à época, por essa razão, expressa sua visão pessimista em relação à sociedade.

O “Conto de escola”, ocorreu no período da regência,em que havia muita agitação pública e violência moral. Nele, estão representadas as fraquezas humanas. Raimundo deixou transparecer sua fraqueza moral visto às pressões exercidas por Policarpo, o pai e professor, e uma sociedade autoritários. Por ser ele filho do professor, tinha de ter um comportamento exemplar, à medida em que sente que não vai ir bem na prova, recorre a negociação que vai salvá-lo sendo castigado por isto. Nos dias atuais seria um fato normal, tomar aulas e pagar por isso. Mas o que interessava era a máscara que estava por trás da intenção de Raimundo e Pillar, enganar ao mestre sobre o aprendizado do conteúdo, o que seria passível de punição. O narrador em 1° pessoa, está distanciado dos acontecimentos, temporalmente, porque ele participou da história. O professor lia às notícias para saber o que estava acontecendo, completamente, alheio à sala de aula. Situação semelhante ocorreu com a escola que se mostrou alheia à sociedade. O autor mostrou a desintegração escola/sociedade, uma escola isolada da vida. Pillar, preso na sala de aula, olhava para fora, via o papagaio de papel, e esse novo o atraia para lá, denotando-se aí, a falta de atratividade da escola. Também, percebe-se a crítica aos métodos pedagógicos utilizados. Pillar usava uma calça amarela lembrando dinheiro, o ser humano é levado a atos de corrupção, porque não é dotado de tantas virtudes. A lição tirada desse conto é a de que o ser humano é movido pelas circunstâncias e não por princípios rígidos. Ele é ambíguo, vai revelando seu caráter no convívio, na insconstância do ser e na necessidade do fazer.

O conto “Último Capítulo” narra a história do personagem Matias Deodato que planejara sua morte, deixando um testamento e um resumo da autobiografia, haja vista ser essa uma prática contumaz dos suicidas. Ele é um azarado, sua vida uma contradição só, como por exemplo cair de costas e quebrar o nariz,. Formou-se em direito para angariar fortuna, mas o que recebeu foram algumas desgraças. Casou-se com Rufina, uma pessoa cinzenta, apagada mas fiel. Ela deu-lhe um filho que nasceu morto, cinco meses depois se acometeu de uma doença e morreu, tornando-se idolatrada para ele. Ao se desfazer das coisas da falecida, descobriu através das cartas guardadas, que fora traído por ela e Gonçalves, também que com ele a esposa era pacata, com Gonçalves muito ativa. Muitas outras contradições estão presentes no conto: a viúva jurava amor eterno a Deodato, mas o traiu casando com seu amigo; no natimorto Machado mostra a contradição das pessoas com a realidade contradizendo os ideais. Deodato, desiludido depois da morte da mulher e descoberta da traição, não acreditava que pudesse encontrar felicidade. Debruçado na janela, viu passar um senhor feliz contemplando as botas. Questionou-se, “A felicidade seria um par de botas?” Concluiu que sim, e que nenhum problema social ou moral valia um par de botas. Assim, ser feliz era não ter grandes ideais, grandes preocupações. O ser humano era suscetível a fracassos.

Concluí-se que, Machado de Assis, homem sem raça, nem classe definida, que aspirava ao meio burguês, viveu a sonhar com a riqueza. Através do humor e da ironia, disfarçava sua própria miséria e dificuldades. Mestiço brasileiro bem representativo, de alma, sangue e cultura, tornou-se um escritor bem brasileiro. Sua língua era a de seu povo, que foi nacionalizada pelos brasileiros para dar vazão às suas necessidades de expressão num meio e realidade novos. Ele procurava sempre explicar a alma humana.

Seus contos são, uma versão em miniatura do seu modo de interpretar a sociedade. São relatos sofridos, pesados, que recriam a vida real, principalmente o ambiente carioca do final do século. Dentro dessa visão, surgiu o humor com duas funções: ora visa criticar o ser humano e suas fraquezas, através da ironia, ora demonstra compaixão pelo homem, fazendo o leitor refletir sobre a condição humana. É, sobretudo, uma crítica aguda aos conceitos deterministas e positivistas que circulavam na época, com o nome de naturalismo, aos quais Machado devotava profundas discordâncias e criticava com humor e ironia. Na visão pessimista do mundo, a natureza aparecia como mãe e inimiga, mantendo-se impassível diante do sofrimento humano que só acaba com a morte. No caso da escrava da história “Pai contra a mãe”, ela foi criada pela natureza que assiste seu sofrimento, e pelo que vimos, só cessará quando ela morrer.

A partir de 1881, Machado fez uma análise apurada da sociedade brasileira, acentuou a crítica social, assumindo uma fina ironia quando focalizava questões delicadas como o casamento, o adultério e a exploração do homem pelo próprio homem, temas abordados nos contos examinados. Machado denunciou a hipocrisia e o egoísmo: os bons sentimentos, quando surgem, escondem sempre uma outra face, egoísta e hipócrita. Ele não hesitou em mostrar sua descrença nas aparências e sua busca de elucidar o que se esconde por trás delas. As personagens criadas por Machado são homens comuns, que apresentam uma mistura de sentimentos, às vezes contraditórios. Escolhia seus personagens entre a burguesia que vive de acordo com o convencionalismo da época. Machado desmascarou o jogo das relações sociais, enfatizou o contraste entre essência (o que as personagens são) e aparência (o que as personagens demonstram ser).

Dos contos comentados estão presentes os temas da loucura, da alma feminina, da vaidade, da sedução, do casamento, do adultério e da exploração do homem pelo homem. É característico de Machado mostrar, de maneira impiedosa e aguda, a vaidade, a futilidade, a hipocrisia, a ambição, a inveja, a inclinação ao adultério. Na atualidade, a repercussão das suas idéias encontra-se plenamente justificada nos modernos conceitos de incerteza, na crítica aos conceitos de loucura e na teoria do caos.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Profissionais e Empresas que indico

Odete Soares Rangel


Ao longo dos tempos tenho me estressado indo em busca de profissionais e empresas através dos endereços e telefones anunciados, porquanto, uma grande maioria não são encontrados ou já trocaram de endereço e/ou telefone.

Certa vez, durante uma reforma em nosso apartamento, nos dirigimos ao continente em busca de uma empresa anunciada no guia. Ao chegarmos no local fomos informados pelos habitantes do número ao lado, de que desconheciam a empresa e, que naquele local, há uns dez anos, essa empresa não existiu.


Inconformada com a perda de tempo e o desgaste com a locomoção, decidi reunir nomes e endereços de excelentes profissionais e empresas com credibilidade, pontualidade e qualidade em serviços prestados e produtos fornecidos, das quais nos utilizamos e ficamos satisfeitos com os resultados. Assim, quero dividir estas informações com os leitores que acessarem o meu blog.  


Área médica


1. Dra. Ana  Cristina Boing Lobato - Ginecologia e Mastologia
    Rua Irmã Benwarda, Nº 31 -  Centro
    CEP 88015-270 - Florianópolis - SC
    Fone (048) 3222-6635

Área Jurídica

1. Dr. Rogerio Calafati Moyses - Rc Moyses & Ferreira Associados
   Avenida Loureiro da Silva, 2001 – Conjuntos 711/712/713/714
   CEP 90050-240 - Porto Alegre - RS
   Fones: (51) 3211-1371 - 3061.1375 – 3061.1376 - 3221.6117
   E-mail: rcmoyses@rcmoyses.com.br



Área Comercial 


1. Armazém & Cia. - Produtos Naturais 
    Flávio S Tiago da Silva ME
    Rua Hermann Blumenau, Nº 280 - Centro
    CEP 88020-020 - Florianópolis - Santa Catarina.

    armazemecia.floripa@gmail.com


2. Madekalo Com de Madeiras Ltda - http://www.madekalo.com.br/
    SC 401, KM 2, Nº 1607 - João Paulo
    CEP 88030-000 - Florianópolis - SC
    (48) 3334-8585 - FAX (48) 32268585


3. Marmoraria Pedra Branca    
Informações de Contato
Fone/Fax: (48)3278-0352
Celular: (48) 9962-4797
Rua: Rodovia SC 407, No 7195 - KM 08
Bairro: Colônia Santana - São José
CEP: 88123-001

3.1 Marmoraria Oliveira
    Rua Luiz Fagundes, Nº 2155
    (48) 3257-122


4. Pedras Brasil
    Santo Antonio de Lisboa (48) 3335-0075


5. Portobello Shop - Com. e Prestação de Serviços em Revestimento cerâmico
    Av. Presidente Kennedy, Nº 446 - Campinas
    CEP 88101-000 - São José - SC
    (48) 3035-5551


6. PUXARE - Puxadores e Ferragens em Geral
    Trindade (48) 3333-2323


7. STEINGLASS Com. de Vidros Ltda - www.steinglass.com.br 
    Rua Waldemar Ouriques, Nº 287
    Capoeiras - Florianópolis - SC
    (48) 3248-0448


8. Vidraçaria Santa Efigênia Ltda
    Rua General Eurico Gaspar Dutra, Nº 770
    Estreito - Florianópolis - SC
    (48) 3248-2255 FAX (48) 3248-2834

9. Gesseiro
     Sr. Maurino - Palhoça - 99730886


Prestador(a) de Serviços


 1. DHEA - Diagnóstico Hoteleiro - Eventos - Administração
    msn: dea_lm@hotmail.com
    skipe: andreavlmendes
    (48) 3357 5612 - 9983 0149


2. JCV Ventura - Assistência Técnica DOCOL  

     Gilberto (48)  9972-3060 – 8842-8142


3. Limpa Entulhos Ltda - Coleta de entulhos, aterros e demolições
    Rua Padre Luiz Zuber, Nº 203
    CEP 88070-570
    Capoeiras - Florianópolis - SC
    (48) 3348-9940

Área de trânsito

1. Nilton Dionísio da Silva – Credencial nº 696
Rua Fulvio Aducci, nº 1192 sl 01 - Estreito
CEP 88.075-001
Fone: (48) 3244-8700
E-mail: despachantedionisio@yahoo.com

Área Moveleira

1. Itacell Móveis
Rua Manoel Loureiro, 1.865
São José, SC.

Fone (48), 246-7797
E-mail: itacellmoveis@yahoo.com.br








quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Camões, o Gênio Épico Lusitano

Odete Soares Rangel

No ano de 1572, o Mestre Antônio Gonçalves concluiu a impressão da obra "Os Lusíadas", longo poema épico em oitava rima (Estrofe com oito versos de dez sílabas cada, rimados entre si).  Nesse, através de alusões mitológicas e históricas, um tanto complexas, celebravam os feitos heróicos do povo português na guerra e no mar. O autor Luis de Camões, até então pouco conhecido.  Sabia-se que tivera um dos olhos vazados, resultado da sua luta no ultramar contra os mouros. Ele retornou a Pátria pobre e foi morar com a mãe Ana de Macedo.  Os literatos da época não valorizaram o poeta. Seus biógrafos esforçam-se para ocultar o plebeísmo do poeta, atribuem-lhe uma fidalguia inventada, como se só um nobre fosse digno de ser um cantor português.

Os estudiosos da vida de Camões dão-lhe o ascendente Vasco Peres de Camões. Esse passou-se para Portugal no final do Séc. XIV, constituiu família e um dos netos foi o genitor de Simão Vaz de Camões, pai do poeta.

O lugar e a data do nascimento de Camões são dúvidas na literatura. Alguns biógrafos afirmam que ele é originário de Alenquer, outros  que ele nasceu em Santarém. Domingos Fernandes declarou que ele nasceu em Coimbra. A maioria dos camonistas o tem como nascido em Lisboa. Especula-se que tenha nascido em 1524, o que é plausível, pois foi o ano de morte de Vasco da Gama, o protagonista de Os Lusíadas. A infância do poeta é uma incógnita, infere-se que tenha sido de extrema miséria e tristeza. No Séc. XVI, Lisboa viveu um período decadente.

Camões conhecia a literatura clássica de Grécia e Roma. Lia Latim, sabia Italiano, escrevia o Castelhano, mas desconhecia o Grego.

Exilado de Lisboa, Camões foi para Ribatejo, amigos afortunados o acolheram com cama e comida. Desconfortável com essa situação, ele ele enfrentou os perigos e foi prestar serviço militar na África. Seis meses após, se alistou na milícia do ultramar e foi para Ceuta no outono de 1549.  Lá, durante dois anos, sofreu todas as privações de soldado raso.  E foi na África que perdeu o olho direito, em escaramuças dos portugueses X mouros, inimigos de Cristo e seguidores de Mafoma.

Amargurado e desiludido, retornou a Lisboa cerca de 1551, mas era um outro homem. Ele voltou a companhia dos boêmios do Mal-Cozinhado, não para se divertir, mas para afogar suas mágoas.

Em 1552, Camões se envolveu numa briga e feriu Gonçalo Borges no pescoço. Atendendo queixa da vítima, a justiça D`El-Rei deteve o Poeta e o manteve na prisão de Lisboa. O único apoio que teve foi da mãe, que conseguiu tirá-lo da prisão. Um ano depois, a vítima o perdoou, ele recebeu a carta formal de perdão. Entretanto, duas imposições foram feitas para sua libertação: pagar ao Esmoler  D`El-Rei  quatro mil réis em dinheiro para obras de caridade,  e embarcar para a Índia na intenção de servir na milícia do Oriente. Para esse pagamento, sua mãe empenhou suas últimas jóias. Em março de 1553, ele embarcou, como soldado raso, na São Bento, nau incorporada a frota de Fernão Álvares Cabral. Essa aportou em Goa seis meses depois. Camões estava inconformado com o destino da sua vida, quando seu gosto era a Poesia.

Para Camões, Goa era sinônimo de desagregação moral, isso o enojava. Ele expressou essa repulsa num poema em que comparou a Goa lusitana à Babilônia bíblica.

Em poucas semanas, Camões participou de uma expedição punitiva que o Vice-Rei D. Afonso de Noronha enviou contra o rei de Chemba. Vitoriosa, regressou a Goa. Em 1554, sob o comando de D. Fernando de Menezes embarcou numa frota em perseguição a navios mercantes mouros que comercializavam entre a índia e o Egito. Essa retornou à Índia em novembro do mesmo ano. 

Camões tinha direito a férias, porém não eram remuneradas para soldados alistados. Assim, ele arranjou trabalho como escriba público e manteve-se em Goa, com esse mísero dinheiro, até 1556.  Nas horas livres escrevia poemas.

Cumpriu o estágio obrigatório de três anos na milícia do Oriente, foi nomeado como provedor-mor dos defuntos e ausentes em Macau, entreposto comercial dos portugueses na China. Essa fase ficou imortalizada, nas proximidades existia uma gruta denominada de Gruta de Camões, e segundo a tradição, ali ele escreveu a maior parte de Os Lusíadas. Acusado de ter se apropriado de dinheiros que lhe foram confiados, voltou a Goa para responder a inquérito judicial. O navio, em que voltava o aprisionado, naufragou em Camboja. Ele salvou-se a nado, levando consigo seu único bem, o manuscrito de Os Lusíadas. Viveu em companhia de monges budistas, até ser recolhido por um navio português que o deixou em Goa.

Em Goa viveu vários anos marcado pelo estigma de estelionatário, também havia sido preso por dívidas não pagas. Próximo de 1562, do cárcere, em versos humorísticos, o Poeta apelou ao Vice-Rei da Índia portuguesa,   recebeu a liberdade pedida e a proteção desse fidalgo.

Numa situação miserável, ofereceu um banquete aos amigos, o prato servido eram trovas escritas em pedaços de papel.

Em meados de 1567, Camões conheceu o capitão Pero Barreto que levou-o até Moçambique. Por um desentendimento sobre dívidas, este mandou prendê-lo. Ao final de 1569, o historiador Diogo do Couto o encontrou lá na mais terrível miséria. Graças a este, Camões deixou Moçambique e chegou a Lisboa em abril de 1570 trazendo consigo sua maior fortuna, os dez cantos de Os Lusíadas.

Desencantado com o mundo e com os homens, foi morar com a mãe. Tudo que ele desejava era publicar o longo poema em que exaltava a Pátria que tanto o maltratou. Deixando o orgulho de lado, pediu ao Conde de Vimioso, D. Manuel de Portugal, para ajudá-lo a publicar Os Lusíadas. Camões só conseguiu obter o imprimatur do Santo Ofício, após o Frei Bartolomeu Ferreira introduzir algumas alterações no poema.

A primeira edição da obra Os  Lusíadas  veio a público em 1572, com uma tiragem entre 100 e 200 exemplares, cuja edição possuía muitos erros tipográficos. A obra convenceu Dom Sebastião, o qual em junho desse mesmo ano, registou em alvará uma concessão de 15.000 réis de  tença anual pelo espaço de três anos, a contar de 12 de março de 1572, pagos em sua tesouraria à vista de certificado de que Camões residia na sua Corte. Esse numerário, que supostamente permitiria um viver folgado, apenas livrou Camões de morrer de fome. À época, um carpinteiro era remunerado com 160 réis por dia, em média; assim  a tença de Camões que representava uma diária de 40 réis, não era um valor avantajado. Esse, somado às esmolas recebidas de um escravo javanês que trouxera de Moçambique, possibilitou-lhe sobreviver até as renovações das tenças.

Em 1579, o Poeta ficou gravemente enfermo, após ter  contraído a peste que devastou Lisboa. Antes de morrer, redigiu uma carta a D. Francisco de Almeida Camões, na qual fez referência ao desastre de Alcácer-Quibir, batalha entre portugueses X mouros, cuja derrota portuguesa levou a perda da independência, acabando com os sonhos desvairados de D. Sebastião.

O Frei José Índio lamentou ver um homem que lutou bravamente na Índia Oriental e navegou 5500 léguas por mar, ter morrido num hospital de Lisboa, sem um lençol para cobrir-se. Seus restos mortais não receberam um lugar de destaque, foram enterrados num canto qualquer do cemitério da igreja de Santana. D. Gonçalo Coutinho, anos mais tarde, mandou apor uma lápide sobre o túmulo, cuja idéia infeliz no dizer do epitáfio registrava: "Aqui jaz Luis de Camões, príncipe dos poetas do seu tempo: viveu pobre e miseravelmente e assim morreu no ano de 1579".

Analisar o primeiro canto do poema devia provocar uma  aversão nos estudantes secundários, pois estava a arte de Camões a ser considerada um enfadonho quebra-cabeças de sujeitos, predicados e complementos, mas valia relê-lo pelo amor da Poesia, somente assim se compreenderia o verdadeiro significado de tão expressiva obra.

Iniciar a leitura da obra pelos sonetos, contatando com o Camões amoroso, é o que alguns literatos aconselham. José Régio os considera o triunfo supremo da arte camoniana. Para Camões, a duradoura união espiritual dos amantes se intensifica sobre a fugaz união física, transformando o amador na cousa amada.

Ele não se consolava com seu viver fantasioso, com a prevalência de suas aventuras de soldado, andanças pelo mundo e transtornos da sua vida atribulada, cuja experiência custou-lhe muito suor e lágrimas.

Sua lírica incluiu elegias e canções de nobre e singular beleza, assim como trovas espetaculares com o uso de redondilhas e metro breve dos cancioneiros populares.  Camões valeu-se de matéria, imperfeitamente, épica para compor Os Lusíadas, embora o chamamento do mar e o fascínio das terras distantes fossem considerados elementos do folclore lusitano. Daí a inexistência de heróis individuais comparáveis aos soberbos guerreiros de A Ilíada, com sua força viva e convincente. O fato se justifica por Homero utilizar-se da História já convertida em Mito, enquanto Camões tinha a História em estado de crônica palaciana. Assim, Os Lusíadas são uma epopéia sem heróis, o poema épico celebra a Pátria em sentido coletivo. Camões não tendo heróis humanos, valeu-se da sua maestria verbal e dos deuses celebrados nas epopéias da antiguidade para tecer o poema.  O episódio de Inês de Castro, por exemplo, vale por todas as falas de vasco da Gama.

O Camões vivido, sofrido, autêntico, despido do desejo de mando e da ambição de riqueza, tornou-se o imortal da epopéia  lusitana "Os Lusíadas".

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Skank, uma voz que encanta

Odete Soares Rangel

Skank, a banda brasileira de pop rock, é fornada pelos integrantes Samuel Rosa (guitarra-voz), Henrique Portugal (teclados), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferreti (bateria). Foi fundada em março de 1991, na cidade de Belo Horizonte.

Inicialmente (1983) era uma parceria entre Samuel Rosa e Henrique Portugal, com os irmãos Dinho (bateria) e Alexandre Mourão (baixo). Eles tocaram juntos em uma banda de reggae chamada Pouso Alto. Em 1991, eles fizeram um show na casa de concertos Aeroanta, em São Paulo, porém desta vez no lugar de Dinho e Alexandre estavam os novos integrantes Lelo Zaneti (baixista) e Haroldo Ferretti (bateirista). A estréia em 05.06.1991, contou com apenas 37 pagantes. Ao final, o grupo mudou o nome para Skank, uma idéia feliz que perdura na atualidade.

Foi o primeiro grupo brasileiro a ter um álbum lançado em formato digital (2006). Em junho de 2010, o grupo realizou um show gratuito no Mineirão, era a despedida do estádio antes das reformas para a Copa do Mundo de 2014. O show foi registrado em CD, DVD e Blu-ray.

Ouvir as músicas deles na voz de Samuel Rosa é, sem dúvida, uma atração melodiosa para nossos ouvidos. Sutilmente é uma das músicas que não me canso de ouvir e queria dividir com vocês essa alegria. A voz de Samuel me encanta, me apaixona. Ele canta com alma, quando a voz sai tenho a impressão de que ele está vivendo a situação cantada. Você pode ler e ouvir mais na página oficial da banda. (http://www.skank.com.br/)

SUTILMENTE - SKANK
 Clipe Oficial ( Melhor Clipe - VMB 2009)

video

http://www.youtube.com/watch?v=geDHzXg56UU

Sutilmente

Skank


Composição: Samuel Rosa / Nando Reis


E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
Mas quando eu estiver morto
Suplico que não me mate, não
Dentro de ti, dentro de ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti

Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti
Mesmo que o mundo acabe, enfim
Dentro de tudo que cabe em ti.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Florianópolis, a cidade que precisa ser reinventada!

Odete Soares Rangel


Moro em Florianópolis faz cinco anos, muito tenho observado e constatado nas características e mudanças da cidade.

Li o artigo "Cidade criativa, um futuro possível" de Andreza de Lima Ribeiro Teixeira, e voltei a refletir sobre a Florianópolis que todos nós gostaríamos de ter.

Faço um apelo aos governantes para que olhem para a cidade e a tratem com carinho como fazem com seus filhos, criando oportunidades e perspectivas educativas para torná-la uma cidade com infraestrura e segurança, na qual as pessoas queiram e tenham prazer em morar.

A cidade precisa de oxigênio; de um trânsito que flua com normalidade; de ruas onde possamos andar em segurança e com nosso carro sem trepidação ou caindo em buracos; de praias com areia para nossos filhos brincarem e espaço para colocarmos nossas cadeiras e curtirmos com nossos amigos; de semáforos e ruas sem pedintes ou assaltantes; de praças, estátuas e monumentos limpos e preservados; de locais onde possamos andar seguros sem sermos assaltados ou submetidos a outros atos de violência; de empresas e governantes conscientes da sua responsabilidade com o meio ambiente; de governantes que entendam e invistam no turismo e recebam o turista com a dignidade que merece, pois é ele que traz recursos para a cidade; de postos de saúde e hospitais onde os pacientes do SUS não precisem esperar horas para serem atendidos, anos para realizarem tratamentos e cirurgias, ou até que morram nas filas esperando; de transporte coletivo eficiente; de programas sociais gratuítos para tirar os jovens carentes das ruas e lhes proporcionar oportunidades de desenvolvimento, visando sua inserção social, além de  formá-lo  cidadão; de programas de treinamento para qualificar profissionais para o mercado de trabalho; de pessoas qualificadas nos postos certos para que essa discussão não seja uma mera utopia, etc.

Tudo isso passa pela questão educativa, discutir os problemas da cidade e buscar soluções urgentes, não pode mais ser adiado, sob pena da cidade entrar em colapso. Assim, espero que os políticos candidatos a cargos eletivos nesta eleição, possam refletir sobre todas esses problemas, e só assumam a função, se estiverem cônscios da sua competência para promover as mudanças necessárias. 

É óbvio que cada um de nós tem de fazer a sua parte, mas nossa voz precisa ser ouvida. A Florianópolis de hoje não é mais a mesma de cinco anos atrás, mas desejo que ela seja diferente desta de hoje, num futuro próximo. Que consigamos ver os itens elencados acima, considerados e solucionados. Que possamos orgulhar-nos de viver numa Florianópolis segura, sustentável e com qualidade de vida; renovada.

domingo, 12 de setembro de 2010

Um Atendimento Diferenciado

Odete Soares Rangel

Há algum tempo escrevi artigo criticando o péssimo atendimento, a que nós consumidores, somos submetidos quando adquirimos algum produto ou serviço.

Hoje quero falar de um ótimo atendimento, cujo local tem uma energia muito boa. A empresa é o Armazém & Cia. - Produtos Naturais - de propriedade de Flávio S Tiago da Silva ME. Lá você é recebido com um sorriso por ele ou sua esposa Gisele, os quais estão passando esse ensinamento para suas novas colaboradoras.

O Armazém & Cia. - Produtos Naturais - comercializa produtos naturais do ramo alimentício que incluem uma extensa lista de farináceos, cereais, ervas, grãos, chás, pães, biscoitos, geléias, mel, além de outros produtos de linha diet, light, sem glútem e sem lactose.

Algumas opções de lanches como assados, sanduíches naturais, sucos, iogurtes, chás, tijelas de açaí e  energéticos são disponibilizados aos clientes.

Flávio e Gisele, um casal harmônico, afetuoso, ambos não medem esforços para atender bem o cliente, respeitando sua vontade e procurando auxiliá-lo com informações técnicas, demonstrando que conhecem os produtos que vendem.

Atendem com eficiência e agilidade, mas especialmente com afeto, além de comercializarem produtos de excelente qualidade. Hoje fiz compras no Armazém e, a cada atendimento, saio mais satisfeita.

Parabéns ao Flávio e Gisele, seu atendimento afetivo e profissional encanta os clientes e faz a diferença.

Armazém & Cia. - Produtos Naturais -
Flávio S Tiago da Silva ME
CNPJ: 10.794.753/0001-70
I.E: 255.917.686
Rua Hermann Blumenau, 280
Centro - Florianópolis - Santa Catarina.
CEP 88020-020
armazemecia.floripa@gmail.com